Domingo, 2 de Novembro de 2008

Simplesmente nua



No seu olhar assim tão doce
Vejo minha vida em perigo,
Meus sonhos emaranhados aos seus
Encontro meu mundo perdido.

O castanho é o meu universo
Um oceano de águas calmas
Onde esqueci o meu barco
E deixei livre meu verso.

Vejo o sol do nascente ao poente
Espalhando um raio de calor
Pelo meu corpo, que agora quente,
Quer você, o seu amor.

No seu olhar vejo a lua
Branca, pálida, transparente.
E neste brilho espelho
Vejo-me, simplesmente nua.

Sonho e alucinação



Maravilha visão,
Os olhos num sonho
E um corpo nu, deitado
Num lençol branco,
Na nuvem, no algodão...
Vejo teus olhos me pedirem
Teus braços se abrirem
E teu corpo me estreitar
A pele em contato com a pele
A boca, a língua, o calor
Um beijo louco, demorado,
O gosto do teu corpo suado
É mel, doce ou melado?
Amar é como morrer...
Sonho e alucinação.

Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Tristeza



Tristeza
Tristes olhos molhados
Coração apertado.
Ela chega assim
Vem como um passarinho
Vem cantar triste ária
E a terra é quem ouve
O lamento do poeta
Absorve as lágrimas
Tristeza
Triste por quê?
Será que nasci assim?
Como o mar?
Sou assim, vivo de marés
Como o mar me enfureço
E sou manso lago
Silêncio
Deixo a tristeza ficar
Deixo os olhos chorarem
Deixo acontecer.

Sangrar




Há horas
de arar a terra com as mãos.
Lançar ao solo, as sementes.
Arar, carpir, aguar.
Há horas
de deixar os casulos dourados.
Voar entre predadores,
Vôo seguro, intrépido, audaz.
Há horas
De pegar o leme com firmeza.
Levar a nau (com bandeira pirata)
Ao mar desconhecido, sem naufragar...
Há horas
de derrubar as muralhas,
arrebentar fortes correntes,
tirar as algemas.
Por o coração fora da jaula
Mesmo que seja pra sangrar
e não ter mais como guardar.

Pássaro liberto



Voar
Ser pássaro liberto
Planar
Ver a terra longe ficar
O mundo diminuir
Subir, subir
Perder-me no ar frio
Voar
Ser pássaro liberto
Deixar a gaiola de ouro
Sentir junto com o frio
Ser dona deste vazio
Voar
Ser pássaro liberto
Soltar do peito os anseios
Voar, planar, voar
Sem ter que pensar
Em um dia voltar.

Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Borboletas azuis



Quando o sol amarela o horizonte
borboletas azuis emergem do mar
as asas transparentes
cristalinas como a água
ensaiam vôos confusos
aspiram maresia e néctar
de flores amarelas...

As borboletas azuis
atravessam os quintais
beijam roupas nos varais
atrás das amarelas flores
ultrapassam as janelas
sem taramelas
mergulham em banho de sol...

As borboletas azuis
surgem`a frente das casas e carros
onde os homens pasmos
não compreendem tamanha fluidez
um baile de lindas damas
valsando olhares
e longos vestidos azuis...

Domingo, 15 de Junho de 2008

Angústia


Dentro desta angústia
deixo-me ficar
fico nua
para depois
nua ficar.

Arranco você
do meu peito
e tento levitar
calo a minha voz
para o teu nome calar

esqueço que fui tua
lembro-me do gozo
muito prazer
para esquecer

Dentro desta angústia
deixo-me ficar
fico nua
para depois
nua flutuar.